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Tese de mestrado analisa o Saúde Criança em estudo sobre inovações sociais no Brasil

O pesquisador Anderson Sasaki trabalhou como voluntário e auxiliou na implantação da metodologia Saúde Criança em Portugal

Quando estava procurando uma organização social para ter como objeto de estudo para seu mestrado, Anderson Sasaki conheceu a Associação Saúde Criança. Ele estava em busca de instituições em Florianópolis que tivessem feito alguma inovação social nos últimos cinco anos. Em 2014, ao entrar em contato com o instituto comunitário que apoiava projetos da região, descobriu o Saúde Criança Florianópolis e nela trabalhou como voluntário por cerca de três meses. A experiência deu base a sua tese e o fez auxiliar na implantação da metodologia Saúde Criança no Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos em Cascais, Portugal.

Dentro da instituição, ele ficou livre para escolher a área em que desejaria ser voluntário. Graduado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina, usou este fator e a afinidade com crianças para trabalhar na recreação infantil e na gestão organizacional. Após a finalização do mestrado, Anderson conseguiu uma bolsa para estudar no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, para fazer um doutorado em Sociologia Econômica.

Na Europa, ele precisava de alguma organização que realizava um trabalho semelhante ao que tinha acompanhado no Saúde Criança Florianópolis para continuar a pesquisa. Mais uma vez, entrou em contato com o órgão responsável pelas organizações sociais locais, assim como já tinha feito no Brasil. A partir da Fundação Gulbekian, em Lisboa, descobriu algumas instituições com o mesmo perfil e foi encaminhado para Claudia Balbuena,  antiga voluntária e funcionária do Saúde Criança que estava implantando a metodologia da Associação em solos portugueses.

Dessa forma, o brasileiro acabou acompanhando o processo de adaptação do trabalho em Portugal, que foi um pouco modificado por causa das diversidades culturais e sociais entre os dois países. No geral, a filial lusitana adapta o atendimento de acordo com o caso da família. Segundo Anderson, uma das principais diferenças é o novo perfil de portugueses em risco social, surgido após a crise de 2008. “São pessoas que possuíam escolaridade completa e nível superior, mas precisam de apoio principalmente por causa do desemprego. Dentro do nosso trabalho, essas famílias precisam de mais atenção no âmbito profissional e da saúde, do que em cidadania, moradia ou educação”, analisou.

Além disso, a parcela da população que já era pobre teve a situação social agravada e os imigrantes tiveram benefícios cortados, por causa da crise. Para essas famílias, é importante trabalhar o fator da inclusão social e empoderamento de crianças e seus responsáveis. Nesses casos, a reprodução da metodologia do Saúde Criança é realizada usando os cinco principais pilares da Associação: Saúde, Moradia, Educação, Cidadania e Profissão.

Toda essa experiência abriu a cabeça de brasileiro que, a partir dela, passou a enxergar a importância de áreas como saúde mental, nutrição e educação no processo de reestruturação das famílias de baixa renda. “Acredito que o diferencial da Associação reside em três aspectos: na metodologia, na gestão social participativa e na abertura organizacional”, concluiu. Sobre a tese de mestrado, Anderson pretende publicá-la para compartilhar o conhecimento adquirido com o máximo de pessoas possíveis. Ele também deseja continuar os estudos sobre os impactos das inovações sociais no Brasil, na busca de aproximar o universo acadêmico da comunidade onde está inserido.