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A pobreza como questão de saúde pública

Estudo comprova que a desigualdade social afeta mais o índice de mortalidade mundial do que o uso excessivo de álcool, obesidade e hipertensão.

A revista científica The Lancet publicou, no início de fevereiro de 2017, um estudo liderado por cerca de 30 especialistas de instituições renomadas no mundo inteiro, que prova a ligação direta entre o nível socioeconômico de um indivíduo e seu estado de saúde. A pesquisa analisou dados de cerca de 1,7 milhões de pessoas de diferentes lugares. Nela, foi comprovado que a pobreza e a desigualdade social matam tantas pessoas em escala global quanto a obesidade, a hipertensão e o uso demasiado de álcool.

A condição financeira de uma pessoa e a forma como ela vive são responsáveis pelo encurtamento da expectativa de vida de adultos acima de 40 anos, em dois anos. Em comparação as metas de saúde listadas pela Organização Mundial da Saúde, só perdem na taxa de mortalidade para o Tabaco, sedentarismo e para a Diabetes.

No Brasil, a questão é trabalhada há 25 anos pela Associação Saúde Criança, a partir da percepção e iniciativa da Dra. Vera Cordeiro, a fundadora e presidente do Conselho dessa instituição. Após trabalhar por duas décadas no Hospital Federal da Lagoa, ela percebeu que o atendimento hospitalar tem limites, principalmente, quando o paciente vive em situação de risco social. “Centenas de crianças eram capturadas em um círculo vicioso de miséria, doença, internação, reinternação e morte. Entendi que, infelizmente, o nosso trabalho no hospital tinha seus limites. Criamos uma Organização que trabalha com a família, sob o ponto de vista biopsicossocial, não para substituir o Estado, mas para complementar o ato médico, dando maior sentido às suas ações”, afirmou.